Cores são expressão e sentidos que transformam a forma de enxergar o mundo a nossa volta, assim como a moda. A moda sem cores é vazia e efêmera, não comunica e não tem vida, a moda e as cores dançam e se entrelaçam de maneira que quando a vestimenta chega em nossas mãos ela já é signo e representatividade. Deste modo é impossível pensar em moda sem pensar em cores, assim como pensar em consumo consciente de moda e não pensar em alternativas para o tingimento industrial das peças.
A natureza nos oferece uma gama cromática com diversas possibilidades e alternativas mais sustentáveis, uma vez que o processo de tingimento natural utiliza de pigmentos provenientes de plantas, árvores, sementes folhas e raízes, e o processo de tingimento industrial consome enormes quantidades de energia, água e petroquímicos. A indústria da moda é uma das mais poluentes no mundo por diversos motivos e um deles é a quantidade de água utilizada para fabricação de tecidos e a quantidade de resíduos químicos que são descartados de forma incorreta no meio ambiente. Segundo pesquisa do Fashion Revolution para produzir uma única calça jeans, por exemplo, são gastos 10 mil litros de água.
O tingimento natural além de ser uma alternativa sustentável para a indústria da moda também é uma alternativa para o descarte ecológico de resíduos de cozinhas, feiras, indústria alimentícia, plantações, marcenaria, floriculturas, entre outros. Isadora Rubim, especialista em tingimento na Âme Cores Botânicas, formada pela Couleur Garance (associação francesa referência mundial no estudo de cores vegetais), explica que “durante o processo de preparação de fibras, utilizamos taninos vegetais extraídos da casca da acácia negra, barbatimão ou folhas da goiabeira e sais metálicos. Para o tingimento, utilizamos restos de origem vegetal descartados de onde ainda se pode extrair cor, dar vida de forma ecológica aos tecidos”.

Esse processo nos entrega cores que transpiram a riqueza da nossa flora e resgata a cultura ancestral de utilizar da diversidade de cores encontradas na terra, carvão e minerais como forma de arte, “o homem passou a utilizá-los em pinturas corporais, na coloração de vestimentas, na arte e nos mais diversos materiais de uso cotidiano, imprimindo sua alma na relação com a natureza e em seu universo simbólico” conta Isadora. A técnica que é toda artesanal valoriza o trabalho manual e transforma em único cada tecido, imprimindo uma história e valor para roupa que será produzida posteriormente.
Esse ciclo que valoriza a matéria prima de origem vegetal e que reduz impactos de diversas indústrias finaliza-se de forma positiva, uma que vez que o que sobra após o tingimento pode ser devolvido a terra após ser transformado em compostagem, sendo assim descartado de forma ecológica. A moda que antes era apenas um grande agente poluente passa a ser um meio de resgate de cultura e valorização da matéria prima orgânica para transformações positivas e produções conscientes.